Resenha, não tão resenha do filme A Transfiguração

Resenha, não tão resenha do filme A Transfiguração

Se você estiver numa missão de vida ou morte, a escolha de algo pode parecer a pior coisa do mundo. E eu posso considerar uma missão impossível o ato de escolher um filme que agrade a sua(x) companheirx. E acredito não ter o dom de escolher nada.

E é com esse relato de fracasso que iniciamos a resenha de hoje. Visto que não é tão resenha assim, o filme que vamos falar de uma forma bem leiga é o chamado “A transfiguração”. Inicialmente um filme que meteu aquela injeção de curiosidade, pelo título, pela capa, pelas cores, pela sinopse e tudo o mais. Tive de saber se daria certo.

Um filme dirigido por sei lá quem (Michael O'Shea), e atores como “esse menino” (Eric Ruffin) e “aquela menina (Chloe Levine)”, cheio de interessantes momentos marcantes e curiosos sabores ferrugem. Fui induzido a acreditar no sobrenatural, ou a imaginar algo mais lógico que explicasse a história do filme, mas me pareceu difícil demais.

Milo era um menino bacana que vivia numa introversão escolhida pelas circunstâncias da vida. Morava em um bairro do Queens, em Nova Iorque e escondia um segredo. (Alerta de Spoiler), se você gosta de histórias de vampiros e busca uma coisa mais real do que purpurina incandescente ao sol, certamente tentará gostar desse filme. Como eu disse, as escolhas que faço não são tão legais, o meu gosto vai de acordo com o que aparece na frente, e a escolha de uma história com a capa em questão me pareceu justificável. Uma ideia brilhante que expressa a fera por trás do garoto, e não é um cachorro ¬¬. Mas no fim das contas, esperei um pouco mais da trama do que realmente aconteceu, apenas por isso imaginei não gostar tanto do longa.

A TransfiguracaoMilo é um vampiro, isso mesmo, que ataca a noite e chupa sangue. Essa afirmação me consumiu a mente durante o filme inteiro, se a intenção dos autores da história foi criar este questionamento entre Milo ser um vampiro sobrenatural ou querer ser um vampiro, funcionou perfeitamente. A ideia fica entre sabermos se o garoto gosta tanto de vampiros que decidiu se comportar como tal em busca de uma transformação mais densa, ou se ele realmente é um vampiro. Nesse caso o conceito de vampiro se modifica e trazemos tudo para o real, pois se ele for realmente um vampiro como deverá se comportar? O que o caracterizará como vampiro? Serem os valentões da escola sexualmente ativos ou serem jovens com dúvidas e receios sobre suas diferenças aparentes?

Milo realmente é um vampiro, seja por ter escolhido se tornar ou por ter nascido com alguma característica mística. No decorrer do filme, fica mais claro que ele gosta de histórias de vampiros, mas em nenhum momento o filme retrata a explicação do seu gosto, do que foi a causa e o que foi o efeito. Não sabemos se Milo buscou por histórias de vampiros por se identificar ou o contrário. E se eu continuar a falar disso os questionamentos ainda surgirão binários e não tem como mudar isso, a não ser pelo final quando Milo decide deixar a grana que, roubava nos seus assassinatos, para a sua namorada (aquela menina), e desiste de viver. Em sua teoria os vampiros não conseguem se suicidar, e por isso ele arma uma jogada em que os malandrões do bairro o enchem de bala. Sua namorada consegue completar a viajem dos sonhos...¬¬

Não foi um filme emocionante, mas o conceito talvez não fosse esse. Se minha ignorância permitir eu poderia dizer que, na próxima resenha, que nem é tão resenha assim, tentarei algo mais artístico. Até lá.

 

Carlos Hallan

30, Dezembro de 2017