Resenha, não tão resenha do filme Liga da Justiça

Resenha, não tão resenha do filme Liga da Justiça

Se alguém conseguiu criar o costume de ler essas resenhas (que nem são tão resenhas assim) com poucas postagens avulsas e sem muita periodicidade, certamente esse alguém (ou você) consegue transpassar o universo em uma dobra espacial especial criada pelas ondas invisíveis de sua mente. Mas se você chegou aqui por chegar e começou a ler achando que encontraria uma resenha tão completa que a descrição detalhada da cueca do Aquaman seria apenas uma parte minúscula do conteúdo secreto, tenho que te contar que irei te decepcionar.

Ainda existem os leitores que buscam por descrições de resenhas sem spoiler. É como você ler a bula de um Rivotril e não querer saber as contraindicações e os efeitos colaterais do mal uso, esperando para ver o que pode acontecer. Se a morte for lenta e entorpecida, provavelmente você nem terá a chance de saber o final do filme, tendo em vista que a sua consciência se esvaiu no segundo comprimido. Mas aqui o negócio é diferente, se tem spoiler ou não, eu não vou te dar spoiler...

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A resenha de hoje começou quando eu decidi presentear um amigo com a ida ao cinema. Esqueci de mencionar para o meu círculo social que eu só queria pagar a entrada dele e se bobear nem a minha entraria no boleto, mas no final das contas paguei 4 e tive que chegar humildemente para o senhor Samuel dono do blog e oferecer um convite ao qual ele pagaria a entrada dele. A minha ilustre presença teria que compensar esse negócio todo. E aí o mano aniversariante topou, a esposa topou a filha entrou no meio. Mais tarde até Samuel tinha topado com o enigma do convite caro resolvido. Fomos então, sem mais problemas. O horário escolhido havia sido um erro daqueles que os irmãos Winchesters cometiam quando não sabiam contracenar com os cães infernais invisíveis. Chegamos a ver filas enormes e ficamos em uma delas, misteriosamente colocamos o aniversariante na fila. Depois o Samuel como bom nordestino foi comer alguma coisa e parece que comeu cuscuz ou tapioca, alguma coisa sem glúten e lactose.

Eu subi para uma crise de ansiedade e um McFlurry e meio. O primeiro estava delicioso, mas o "meio" estava um pouco mole e com sinais de babas, porque a filhinha de 6 anos ainda não aguentava um sorvete tão grande, por isso eu compro mesmo assim, no final eu sempre fico com a tarefa humanitária do "antidisperdicio".

E para chegarmos ao que interessa. A porra do filme começou. Era 3D com a leve sensação de profundidade a capa do batman pareceria mais legal, e nem dava pra saber se prenderia em alguma hélice pela rua. A mulher maravilha brincou com as pulseiras dos estudantes de humanas da conde da Boa Vista, fez tudo brilhar como o sol logo nas primeiras cenas para você saber que a porra tinha ficado séria. Mas o filme começou.

A jornada do herói segue hoje uma linha bem interessante para a literatura americana, porque às vezes parece que você assiste o mesmo filme previsível só que com supostos enredos diferentes e atores modinha. A trama é mais previsível do que minhas pedaladas de bicicletas inconsciente. Sim porque quando pedalo meu cérebro já processou as pedaladas e eu nem noto mais nada já usando o último sentido, mas quando assistimos a uma trama previsível, qualquer ser vivo poderá se transformar em Sherlock Holmes.

O filme “Liga da justiça” foi bastante previsível. O Superman dominou todas as cenas em que apareceu. Ressuscitou menos epicamente que Jesus Cristo que ninguém nem viu direito. Algumas pessoas deveriam ter esperado um ressuscitar mais épico, com direito a cenas imprevisíveis de preferência, mas pelo contrário, pareceu que o amigo Bruce Wayne estava tramando uma novela mexicana, usando o poder de uma caixa num ritual eletrizante. Nada como ressuscitar um Kriptoniano com um desfibrilador alienígena. “A caixa cria, mas também destrói”...

O filme foi recheado por clichês e um roteiro construído na base do Ctrl c. Como se o roteirista tivesse fazendo seu tcc e deixado para a última hora e tivesse dando ctrl + c nas referências bibliográficas sem saber se era correto afirmar as citações do texto. Mas se você não for assistir como um crítico literário e sim um ser humano feliz tentando ter mais um dia de alegria, é uma boa ideia.

O aquaman teve seus momentos de glória. As donas de casa saradas estavam lá se sentindo a Daenerys de game of thrones, e os maridos esperando para ver a comparação da masculinidade dele com a sua. No fim das contas as donas de casa no meio do cinema chamam o aquaman de gostoso, e o marido fica com raiva por não compartilhar da mesma ideia e ainda por cima não poder competir, porque a Scarlett Johansson não estava no filme e nem Jennifer Lawrence.

A DC investiu pesadamente na comédia. Criou seu próprio Spider-Man com o Flash e logo demonstrou sua inutilidade diante do zumbi superman. Que conseguia voar na mesma velocidade. Rimos bastante. Vi a filha se divertir tanto que teve de ir ao banheiro para não fazer xixi no banco. E no final o vilão previsível, a chegada do superman previsível e o final feliz me fizeram ignorar a existência de uma crítica real ao filme, pois seria injusto comparar com os Avangers.

Eu, particularmente, acredito que a DC Deveria usar sua ideia sombria e um pouco mais realista do batman e trabalhar com mais drama como se fosse um Death Note (o anime) refubished. Mas parece que as piadinhas de tiozão ainda farão efeito no mercado. E no meio dos filmes ainda encontraremos algo equivalente ao “É pavê ou pá cumer?”.

Carlos Hallan

12, Dezembro de 2017