Resenha, não tão resenha, do filme Lion

Resenha, não tão resenha, do filme Lion

Quando você decide ser escritor/redator, se adapta a algumas regras e segue uma ideia padrão gramatical. As regras que regem uma resenha não são as mesmas que eu sigo aqui. Isso porque eu mesmo sou um escritor fora de regra e por isso lhes apresento o quadro “Resenha, não tão resenha”, ao qual fui convidado a manter neste blog com certa frequência.

Vamos começar com uma apresentação formal: Sou Carlos Hallan, um escritor daqui de perto, sem muito mais a acrescentar, se quiser me conhecer melhor é só pagar um pudim em qualquer esquina, que eu comparecerei faminto, pois como “socialmente”. E você, leitor que nem me conhece, já fica a pensar:

Se é isso que ele chama de formalidade, imagina o que vem pela frente.

Pode ficar tranquilo que de texto eu entendo. Não vou mais te enrolar com essa conversa besta, pra isso temos que resumir o assunto: Sou Carlos Hallan, escritor, professor e blá, bla, blá…

A resenha que chega até você hoje pelos algoritmos manipuladores do Google, é uma ideia diferente que segue a vivência acima de tudo. Com humor, lições filosóficas e outras coisas. Não garanto divertimento sempre, mas posso acreditar que você terá um pensamento diferente ao final do texto, nem que seja uma forma mais prática e rápida de me xingar. Mas vamos ao filme então.

Estava eu, aqui, no casulo dos netfliqueiros. Preparado para seguir uma vida rumo a obesidade que os filmes proporcionam. É verdade, se alguém tem que ser culpado por meu ganho de peso, esse alguém é a Netflix. Como pode um aplicativo tomar tanto o nosso tempo quanto este? E ainda mais nos obriga a lanchar o tempo inteiro, como se já não bastasse a apologia ao sedentarismo…

… Como eu estava dizendo, tive de sentar acomodado para iniciar o processo evolutivo até uma borboleta. Procurei um filme para assistir, entrei na sessão de Drama e escolhi o primeiro que vi. Desta vez eu li a sinopse. O filme se tratava da história de um menino que se perdeu e voltou para casa vinte anos depois. Lion

A trilha sonora impressionou logo de cara, mas o som dos passos dos atores, e a qualidade da filmagem estavam em uma sincronia impressionante. Expressando algo comum, a vivência comum e sofrida daquele povo. A palavra mais repetida do filme inteiro foi o nome “Gudu”. O menino inicialmente chamado de Saroo, vivia com dificuldades com seu irmão Gudu, trabalhando na rua, tentando conseguir um pouco de comida. O mundo pra ele não era hostil, como minha visão de mundo interpretou. Ele realmente se divertia ao ponto de pedir pra participar de uma noite de trabalho com seu irmão. Durante a viagem, Saroo dormiu, foi o que obrigou Gudu a deixa-lo descansando em um banco na estação. O problema foi a curiosidade de Saroo em ter de andar por aí. Acabou se perdendo de uma forma que, para quem não assistiu, seria um spoiler eu contar aqui. Mas vale utilizar da sinopse para expressar a nossa ideia. O menino se perdeu, sofreu, até encontrar uma família que o ajudou. Ele cresceu, sentindo-se esquisito. Lembrou de coisas do passado e, com sua nova visão de mundo, ele conseguiu entender a situação na qual vivia anteriormente. Saroo, começou sua jornada em busca de um lugar para voltar. Acredito que a mesma curiosidade que o retirou de lá, estaria levando-o de volta.

A existência de Saroo, passou a ser pequena, incompleta. Enquanto ele não encontrasse a sua casa, nada poderia mudar. E é sobre isso que iremos conversar agora.

Saroo, assim como nós, se perdeu de algo durante a infância. Muitas pessoas atualmente não conseguem responder sobre o que querem ser, ou o que são. O silêncio na resposta demonstra o vazio do ser.

Você é aquilo que quer ser… Se você não quer ser nada…

A reflexão parte da ideia do “se encontrar”, pois não podemos ser alguém se não sabemos o que queremos ser. Não podemos querer ser alguém estando perdidos. Precisamos nos encontrar. Para isso, Saroo não parou de procurar. Ele não desistiu em momento algum. Se apegou a pequenas lembranças da infância – a maioria distorcidas pelo tempo. Mas continuou a tentar, pois não sabia o nome do lugar de onde saiu.

Você sabe de onde veio? O que te motiva a viver? Você se contenta em repetir expressões diariamente, ou busca uma evolução continua? Até onde você consegue dizer que é alguém?

No ponto de ônibus o comum é reclamar do atraso, mesmo sabendo que você chegou antes do horário correto, e portanto é inevitável esperar. Mas socialmente é legal reclamar do ônibus, pois todos sofrem com o mesmo problema.

Na roda de amigos fazer alguém sorrir é essencial para uma boa imagem. Você consegue ser você, com a espontaneidade da expressão, ou se contenta em imitar um humorista da familia?

Você gosta de música? Ou gosta da música que seu amigo mais gosta? E as roupas? Você quer expressar quem você é, ou pensa em se incluir em um grupo legal?

Trabalha por que gosta? Estuda o que te faz curioso(a) é satisfeito(a)? Ou trabalha pelo dinheiro e estuda pelo futuro?

Você se conhece, ou prefere conhecer novas pessoas constantemente?

Façamos um teste. Responda apenas a seguinte pergunta e saberá se realmente está perdido ou não: “Qual o dia mais feliz da sua semana? A sexta-feira, o ultimo dia do trabalho, ou a segunda, o primeiro dia do trabalho?”. Se você ainda for estudante, responda a mesma pergunta trocando apenas a parte do trabalho. E por fim:

O quão perdido(a) você está?

Carlos Hallan

11, Julho de 2017