Não como glúten, e daí?

Não como glúten, e daí?

Eu não sei se é bom quando falo para as pessoas que tenho intolerância à lactose e ao glúten pelo motivo de perceber aquela expressão de “ihh, coitadinho, isso não é vida, só deve comer ração”.

Pois bem, sempre que mudo de local de trabalho, de estudo ou para qualquer ambiente diferente do que frequento, e preciso me socializar com um novo grupo de pessoas e ali acabo expondo um pouco de minha vida, seja por motivos naturais, sou humano, ou por motivos de que não poderei me alimentar de comidas ditas como “normais” para todos ao redor e preciso informar que não me alimento de comidas que contém glúten e/ou lactose em sua composição.

Primeiramente, as pessoas não são obrigadas a saberem o que é o glúten ou que tipo de alimento contém esse ingrediente, eu só dou uma risadinha maléfica quando me perguntam se arroz contém glúten, ou se eu posso comer carne. Que Deus me perdoe por isso, mas vamos combinar que glúten não é o ingrediente mais “diferentão” do mundo, não é mesmo?

O que irrita é quando as pessoas tratam essas intolerâncias como sendo algo que faz com que eu me sinta amaldiçoado ou a pessoa mais infeliz da face da terra por não comer uma pizza por causa do glúten, deixando claro que existe pizza sem glúten e que o sabor não é diferente das pizzas normais que já comi.

O fato é que existem momentos em que estou bem emocionalmente e consigo driblar essa sensação ditada pelo externo de que sou menor ou inferior por não me alimentar de um belo cheddar mcmelt ou me lambuzar de um milk-shake. Porém, existem momentos em que não estou emocionalmente bem e acabo caindo nas graças de quem soltou aquela gracinha de que minha alimentação é muito restrita e não posso aproveitar o lado doce da vida, que são as sobremesas e delícias que estamos acostumados a ver em comerciais e cartazes espalhados pela cidade.

Imagine a reação das pessoas quando eu falo que tenho a síndrome do intestino irritável? Mas isso será assunto para um outro dia.

Até a próxima!

Samuel Melo

03, Dezembro de 2017